CrĂŽnicas do SilĂȘncio

📘 EssĂȘncia

O que Ă© um indivĂ­duo? Quem Ă© vocĂȘ? Quem sou eu? O que define quem Ă© quem, e o que nos une?

Como espĂ©cie, a humanidade estĂĄ fadada a ter que conviver em grupo, somos animais sociais. Sem convivĂȘncia, regredimos a um comportamento totalmente basal e instintivo, sem poder apreciar as vantagens de ter uma consciĂȘncia.

ConsciĂȘncia que ainda nĂŁo sabemos nem como surgiu, inclusive. HĂĄ vĂĄrias hipĂłteses, mas ainda nenhuma conclusĂŁo totalmente confirmada.

Uma delas afirma que a consciĂȘncia Ă© apenas mais um passo da adaptação de organismos. Que caso nĂŁo fosse a humanidade, outra espĂ©cie chegaria ao mesmo patamar que ocupamos hoje.

Mas eu prefiro pensar diferente.

Óbvio que tenho meu viĂ©s, mas ao mesmo tempo que considero a humanidade sortuda em apenas existir, levando em consideração todas as facilidades da natureza em nos exterminar, ainda mantenho um certo romantismo em achar que nĂłs somos o resultado de um processo para que o universo se entenda, mesmo que atĂ© ele prĂłprio seja finito.

Todos os componentes que fazem parte do seu corpo foram forjados no coração de estrelas hå incontåveis anos atrås, e mesmo assim, aqui estamos nós.

Apesar de todos os conflitos, ainda existimos, fazemos parte desse sistema, ainda somos humanos.

Claro, hĂĄ pessoas que ninguĂ©m suporta, e hĂĄ pessoas que melhoram o seu dia sĂł de estarem perto, mas a essĂȘncia humana ainda estĂĄ ali, o que muda Ă© como esse potencial foi explorado, deliberadamente ou nĂŁo.

Cabe a cada um tentar se livrar de suas amarras mentais e buscar ser e ter o melhor para si. Fazer valer essa chance de poder experimentar a essĂȘncia humana, guiar essa mĂĄquina elĂ©trica feita de pĂł de estrelas movida a processos quĂ­micos.

Pouco importa o que nos diferencia, as semelhanças sempre ganharão numericamente.

NĂŁo menospreze o pĂł do qual vocĂȘ foi feito, pois assim que a hora de devolver a essĂȘncia chegar, Ă© a ele que retornaremos.

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