📘 Histórias do Passado
Enquanto pensava em como escreveria meu primeiro conto original, sem ser um desses textos ou um relatório de como estava me sentindo, me lembrei de um canal que vários criadores de conteúdo de terror, como creepypastas, narrações de contos e afins, usavam as músicas como trilha dos vídeos.
Entrando no canal e escolhendo ouvir as músicas mais ouvidas, sofri soco atrás de soco de uma nostalgia agridoce, que ao mesmo tempo que me acariciava o rosto com lembranças de dias mais simples, onde eu ouvia aquelas histórias de terror, apreensivo de alguma delas ser verdade, me fazia encarar a realidade de que aquele tempo tão bom já passou, e o que restam agora são só lembranças.
A maior parte das músicas antigas do Myuu são usando um piano, embebido em melancolia enquanto as notas escorrem pelos ouvidos, me transportando para algo que é praticamente uma dimensão paralela. Uma sensação de paz e tranquilidade imensas, apesar das músicas serem classificadas como "dark piano".
Música após música, é como se eu reencontrasse velhos amigos que não via há anos. O que é tecnicamente verdade, visto que boa parte dessas músicas foram postadas há mais de 10 anos, quase metade da minha vida até agora.
Pedaços soltos das histórias que utilizaram essas músicas fluem pela minha mente como folhas que caíram das árvores no outono seguem o curso de um rio, indo de ponto a ponto, sem necessariamente chegar em lugar nenhum.
Com esses pedaços, tenho relances daquela época. Pessoas com quem conversava, coisas que fazia, jogos que jogava, programas que assistia, criadores que acompanhava. Uma época onde eu certamente era mais inocente e tinha uma visão mais otimista sobre a realidade, que infelizmente já se foi.
Ainda assim, ouvir os choros desse piano que fez parte da minha vida durante tanto tempo é reconfortante, independente de onde estou, física e mentalmente, um ponto seguro que eu posso carregar para qualquer lugar, só precisando de fones e um aparelho qualquer que possa reproduzir os áudios.
Pode parecer até melodramático, mas eu tenho uma relação muito íntima com a música. Desde muito novo sempre ouvi muito mais músicas atmosféricas que músicas consideradas “normais”, com letras feitas por compositores, e que eram performadas por bandas em apresentações, rádios e afins.
Músicas que apresentam algum sentimento, ou que eu associo com uma cena específica, real ou não, tem muito mais significado do que qualquer outro tipo.
Experimentando todas essas músicas novamente, é como se eu estivesse descalço em um campo gramado, totalmente aberto, com nada além de uma árvore, o horizonte a perder de vista, enquanto observo uma versão minha de anos atrás brincando sem preocupações, unicamente focado em se divertir. É uma visão agridoce, assim como a sensação de ouvi-las novamente.
É altamente improvável que tanto o Myuu quanto os tais criadores de conteúdo sequer saibam que este texto ou mesmo eu existimos, mas ainda assim gostaria de agradecer por terem feito parte da minha vida, nem que seja apenas por um tempo limitado, moldando parte da minha personalidade e dos meus gostos, tanto para música, quanto para preferência em métodos de narrativa e contar histórias.
