CrĂŽnicas do SilĂȘncio

📘 Olhos

O que mais dizem sobre os olhos é que eles são janelas para a alma de uma pessoa, o que é poético, mas meio vago.

A ideia que sempre me vem Ă  mente Ă© que eles nĂŁo sĂŁo apenas um vislumbre de como as pessoas se veem, sĂŁo uma ferramenta extremamente Ăștil para a vida humana num geral. Olhos podem demonstrar interesse, desinteresse, atenção, aversĂŁo, cuidado, carinho e toda uma gama de emoçÔes.

Eu jĂĄ me encontrei com vĂĄrios pares de olhos atĂ© hoje. Alguns cheios de certeza, alguns cheios de dĂșvidas, alguns que fingiam serem seguros de si, alguns que esperavam segurança dos outros, alguns que brilhavam como estrelas, e outros escuros como uma noite sem luar. Cada par com uma histĂłria Ășnica e insubstituĂ­vel, apenas esperando para ser contada ao primeiro que se dispuser a ouvir.

Mas os meus olhos favoritos sĂŁo aqueles pares de olhos grandes, sinceros e cheios de curiosidade. Que prestam atenção no que vocĂȘ diz, te fazendo sentir como se cada palavra que sai da sua boca seja mais valioso que toneladas de ouro, que te olham fixamente sem dizer nada, apenas te observando por livre e espontĂąnea vontade. Que desviam do seu olhar por vergonha de estarem te encarando hĂĄ muito tempo. Que quando vocĂȘ os encara de volta, o tempo parece parar ao seu redor, como se o seu Ășnico propĂłsito de vida fosse explorar aqueles oceanos de possibilidades pelo resto da vida, forjando histĂłrias que bardos de terras distantes cantariam atĂ© o fim dos tempos.

Esse Ășltimo tipo Ă© um dos mais raros, mas um dos que mais vale a pena parar e prestar atenção ao seu redor, para ver se hĂĄ um par desses por perto.

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