📘 Sem título
Recentemente eu me vejo pensando em muitas coisas ao mesmo tempo, tanto coisas que eu posso e devo agir sobre, quanto coisas que analisando friamente, só me fazem gastar neurônios e energia, mas mesmo assim continuo pensando.
Tendo visitado dois velórios me menos de um ano, alguns pensamentos começam a pipocar na minha mente. Expectativas pro futuro, tanto minhas quanto de outros, o que vou fazer da minha vida? Vou ficar onde estou, ou vou avançar? "Ficar estagnado" é um exagero de quem nunca tá satisfeito com nada, ou é uma vontade que muitos tem, mas poucos agem sobre?
Eu vejo boa parte dos meus contatos sociais como falsos, são poucas as pessoas com quem eu consigo ser eu mesmo, e mesmo com essas pessoas, vejo que não consigo ser 100% genuíno, sempre estou usando uma máscara. Mesmo meus amigos mais próximos, com quem eu tenho contato há anos e uma amizade que se depender de mim, nunca vai se deteriorar, ainda enxergam nem que seja em só uma parte, essa máscara.
Não sei se esse controle foi auto imposto, se foi imposto pela sociedade, meus pais, por professores durante o meu desenvolvimento, simplesmente não sei. Mas sempre ter no fundo dos meus pensamentos que eu nunca posso perder o controle acaba gerando um peso que às vezes eu não percebo, mas tá sempre aqui.
Não sei mais se eu querer ser prestativo, ajudar os outros e fazer coisas que beneficiem outrem é uma iniciativa minha, ou se é o que eu acho que esperam que eu faça, e por isso eu faço, me enganando que essa satisfação por fazer essas coisas é verdadeira.
Há exatamente um dia, eu fiquei doente ao ponto de não conseguir pensar além do básico, me comunicar (com uma leve dificuldade) e saber o que tinha que fazer pra não piorar, e provavelmente ainda não estou no meu 100% pra escrever nada mais complexo que uma receita, mas achei que valia a tentativa.
Deixar esse texto sem título abriu a possibilidade de eu poder fazer várias tangentes e mudar completamente de assunto. Percebi que o meu outro método é relativamente limitante, pensar em um tema específico, definir um título e tentar me manter só naquele assunto fazia com que os textos ficassem teoricamente mais organizados e estruturados, mas eu gosto do caos. Gosto de como os meus pensamentos pulam de um raciocínio pro outro num piscar de olhos, variando dos temas mais mundanos possíveis para pensamentos filosóficos que assolam a humanidade há milênios. Posso não chegar em resposta alguma, mas me divirto mais com a viagem do que com o destino final.
Levando em consideração os últimos dias, eu percebo que estou escrevendo de pouco e pensando demais. Talvez seja melhor inverter isso, ou ao menos, equilibrar esses dois pesos nessa balança caótica que eu chamo de consciência.
