📘 Sobre Máscaras
Eu não entendia o conceito de usar máscaras sociais quando era mais novo. Sempre achei que honestidade, ir direto ao ponto era o certo a se fazer.
Não preciso nem dizer o quão errado eu estava.
Depois de me meter em vários problemas com todo tipo de pessoa, entendi a função das máscaras, e passei a apreciar mais sua versatilidade e utilidade.
Não digo apenas as máscaras imaginárias, mas as físicas também. Poder esconder o rosto é algo muito significativo para uma espécie que se comunica muito com formas não verbais, com o rosto realizando grande parte dessa comunicação.
Cada forma, cada curva, cada cor, escolhida a dedo por quem estava criando. Cada gesto, cada detalhe, transmitindo uma mensagem a qualquer um que a veja. Desde a simplicidade do “isso é o que eu acho bonito” quanto a mais pura expressão de sentimentos. Tristeza, raiva, ódio, rancor, medo, alegria e derivados, eternizados em um pedaço de matéria, cobrindo as reais intenções de quem está por trás daquele rosto artificial.
Eu adoro máscaras. O simples fato delas existirem já demonstra, na minha opinião, a capacidade humana de se adaptar a quaisquer circunstâncias, independente do grau de complexidade.
Quando entendi que, pelo bem da espécie, todos os indivíduos devem sempre ter suas máscaras à mão, para uso e troca em diversos momentos do dia, também entendi como as relações humanas são tênues, carentes de uma força que as mantenha por si só.
Usamos máscaras para interagir com conhecidos, amigos, familiares e até mesmo companheiros. Utilize a máscara errada em determinada situação, e os tais laços se vão, levados embora pelo vento, assim como a areia de um deserto caminhando pelas correntes de ar.
É por isso que mesmo que máscaras não fossem necessárias, eu continuaria as adorando. Expor uma ideia visualmente, sem a necessidade de palavras ou de cansar os músculos do rosto é fascinante, quase sobrehumano. Algo tão simples, quanto um pedaço de plástico, papel, couro ou outro material, com um poder tão grande que beira a magia.
O melhor de tudo? Poder sentir a textura, as curvas e as formas dessas ideias, sem a necessidade de uma explicação, uma ideia crua, permanentemente preservada em um objeto que, se cuidada da maneira certa, vai viver muitos anos além de quem quis expressar essas ideias e sentimentos.
